Malassezia em Cães: O Fungo que Está por Trás da Coceira, do Cheiro e das Infecções de Ouvido (2026)

📅 Publicado em: junho de 2026 | ⏱️ Tempo de leitura: 14 minutos | ✍️ Por: Equipe Kdaloja

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O cheiro que não sai, a orelha que inflama todo mês e a pele que não melhora

Você já deu banho no seu cão e dois dias depois ele voltou a cheirar mal? Já tratou uma otite com antibiótico, o cão melhorou — e em três semanas a orelha voltou a ficar vermelha e com odor? Já usou diferentes shampoos sem conseguir resolver aquele cheiro de “cão molhado” mesmo com o pet completamente seco?

Se respondeu sim para qualquer uma dessas situações, o nome que você precisa conhecer é Malassezia pachydermatis — o fungo comensal mais comum na pele e nas orelhas dos cães, e o principal responsável por quadros de dermatite fúngica e otite micótica na medicina veterinária de pequenos animais.

A Malassezia não é um inimigo externo que invade o organismo do seu cão. Ela já está lá — faz parte da microbiota normal da pele. O problema começa quando as condições do ambiente ficam favoráveis à sua proliferação descontrolada. E entender essa diferença é o que separa o tratamento que realmente resolve do tratamento que apenas posterga a próxima crise.

Se o seu cão tem Dermatite Atópica Canina, fique especialmente atento — a atopia é o principal fator predisponente para a proliferação de Malassezia, e os dois quadros se retroalimentam de forma muito frequente.

O que é a Malassezia e por que ela prolifera

A Malassezia pachydermatis é um fungo leveduriforme lipofílico — ou seja, tem afinidade por ambientes ricos em gordura. Isso explica por que coloniza preferencialmente regiões específicas do corpo canino:

  • Orelhas — canal auditivo com cerume (gorduroso por natureza)
  • Dobras de pele — axilas, virilha, pescoço, dobras faciais em braquicefálicos
  • Espaços interdigitais — entre os dedos, onde há umidade e calor constantes
  • Região perianal e perivulvar
  • Lábios e focinho

Em condições normais, a população de Malassezia na pele é controlada pelo sistema imunológico e pela competição com outras bactérias da microbiota. O problema começa quando esse equilíbrio é rompido.

Os 4 principais fatores que disparam a proliferação

1. Atopia e alergia: A inflamação crônica da dermatite atópica altera a composição lipídica da pele e a resposta imunológica local — criando o ambiente ideal para a Malassezia se multiplicar. Segundo pesquisas realizadas pela FMVZ-USP, mais de 70% dos cães atópicos apresentam proliferação concomitante de Malassezia.

2. Umidade excessiva: Banhos frequentes sem secagem completa, cães que nadam regularmente, raças com dobras de pele profundas que retêm umidade. A Malassezia prolifera em ambiente úmido e morno.

3. Uso prolongado de corticoides ou antibióticos: Corticoides reduzem a resposta imunológica local. Antibióticos eliminam as bactérias competidoras da microbiota, abrindo espaço para o fungo se expandir.

4. Doenças sistêmicas: Hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo (Cushing) e diabetes mellitus alteram o metabolismo da pele e reduzem a imunidade local — favorecendo infecções oportunistas como a Malassezia.

Como identificar: sintomas de Malassezia em cães

Na pele (Dermatite por Malassezia)

  • Odor característico — descrito como “ranço”, “fermento” ou “queijo” — é o sinal mais reconhecível e resulta dos metabólitos produzidos pelo fungo
  • Coceira intensa — especialmente nas dobras, patas e virilha
  • Pele avermelhada e oleosa com descamação amarelada ou acastanhada
  • Pelos manchados de marrom nas patas — coloração causada pela saliva durante a lambedura crônica
  • Hiperpigmentação (escurecimento da pele) e liquenificação (espessamento) em casos crônicos
  • Seborreia — excesso de oleosidade na pele e no pelo

Nas orelhas (Otite por Malassezia)

  • Odor intenso vindo do canal auditivo
  • Secreção marrom-escura com consistência pastosa — diferente do cerume normal que é amarelo-dourado
  • Coceira intensa nas orelhas — cão balança a cabeça, coça com as patas traseiras, esfrega a orelha no chão
  • Vermelhidão do canal auditivo externo e do pavilhão auricular
  • Dor à manipulação da orelha em casos mais avançados

⚠️ Atenção: Otite por Malassezia raramente ocorre isoladamente. Na grande maioria dos casos existe uma condição subjacente — alergia, hipotireoidismo, pólipo ou corpo estranho — que precisa ser identificada e tratada. Tratar apenas o fungo sem tratar a causa resulta em recaída em semanas.

Diagnóstico: como o veterinário confirma a Malassezia

O diagnóstico de Malassezia é relativamente simples e pode ser feito na própria consulta:

Citologia: O exame mais usado e mais rápido. O veterinário colhe material da região afetada com fita adesiva transparente ou swab, cora com coloração específica e visualiza ao microscópio. A presença de mais de 2 leveduras por campo em alta resolução confirma a proliferação significativa.

Cultura fúngica: Menos usada na rotina por demorar mais (7 a 14 dias), mas útil em casos de resistência ao tratamento ou quando se quer identificar espécies específicas.

O diagnóstico citológico é rápido, barato e suficiente para iniciar o tratamento na maioria dos casos. O importante é que o veterinário sempre investigue a causa subjacente — sem isso, o tratamento resolve o episódio atual mas não previne a recorrência.

Tratamento da Malassezia em cães

O tratamento da Malassezia é bifásico — precisa eliminar o fungo e, ao mesmo tempo, tratar a condição que permitiu a proliferação.

Tratamento tópico — primeira linha

Shampoos antifúngicos: Base do tratamento dermatológico. Os mais usados e com maior evidência de eficácia contêm:

  • Cetoconazol 2% — antifúngico azólico com ação comprovada contra Malassezia
  • Miconazol 2% — frequentemente combinado com clorexidina para ação sinérgica antibacteriana e antifúngica
  • Clorexidina 2-4% — antibacteriano com ação antifúngica secundária, excelente para infecções mistas

O protocolo padrão é banho 2 a 3 vezes por semana com tempo de contato de 10 minutos antes do enxágue — sem esse tempo de contato, o princípio ativo não tem efeito adequado.

🛒 Shampoo antifúngico com miconazol + clorexidina é a combinação com maior cobertura para dermatite por Malassezia com infecção bacteriana associada — o cenário mais comum na clínica.

  • Volume da unidade: 500 mL. | Tipo de embalagem: Frasco. | Fragrância: Neutra.

Sprays e loções tópicas: Para aplicação localizada nas dobras e entre os dedos sem necessidade de banho completo. Úteis para manutenção entre os banhos.

Limpadores auriculares: Para otite por Malassezia, o tratamento começa com limpeza profunda do canal auditivo com solução ceruminolítica antes de aplicar o antifúngico. Nunca use cotonete — empurra o material para dentro.

Tratamento sistêmico — quando o tópico não é suficiente

Em casos generalizados ou de difícil controle tópico, o veterinário pode indicar antifúngico oral:

Cetoconazol oral: 5 a 10mg/kg uma vez ao dia por 3 a 4 semanas. Eficaz, mas requer monitoramento hepático em tratamentos prolongados.

Fluconazol: Alternativa mais segura para cães com comprometimento hepático.

Itraconazol: Opção para casos resistentes ou recorrentes.

⚠️ Antifúngicos sistêmicos exigem prescrição e acompanhamento veterinário — nunca administre sem orientação profissional.

Tratamento da causa subjacente — o passo mais importante

Sem tratar a causa, a Malassezia volta. Sempre. O protocolo de investigação deve incluir:

  • Teste de hipersensibilidade se há suspeita de atopia — veja nosso guia completo: Dermatite Atópica Canina: Guia Completo para Tutores
  • Dosagem de T4 e TSH para descartar hipotireoidismo
  • Hemograma e bioquímica para avaliação sistêmica
  • Dieta de eliminação se há suspeita de componente alimentar

Malassezia e raças predispostas

Algumas raças têm predisposição anatômica ou imunológica significativamente maior para proliferação de Malassezia:

Raças braquicefálicas (Bulldog Francês, Shih Tzu, Pug): as dobras faciais profundas criam microambientes úmidos e quentes — ideais para a Malassezia. Veja nosso guia: Problemas de Saúde Mais Comuns no Shih Tzu

Raças com orelhas pendentes (Cocker Spaniel, Basset Hound, Golden Retriever): a orelha caída reduz a ventilação do canal auditivo, criando ambiente úmido propício para Malassezia e bactérias.

Raças atópicas (West Highland White Terrier, Golden Retriever, Labrador): a inflamação crônica da pele atópica favorece diretamente a proliferação.

Prevenção: como evitar a recorrência

Secagem completa após o banho: Usar secador em temperatura morna em todas as dobras, espaços interdigitais e orelhas. Deixar o cão “secar naturalmente” em ambientes com Malassezia é um erro frequente.

Limpeza regular das orelhas: Uma vez por semana com solução auricular específica para manutenção — especialmente em raças com orelhas pendentes ou cães que nadam.

Limpeza das dobras: Raças braquicefálicas precisam de limpeza diária das dobras faciais com gaze seca ou lenço umedecido pet-safe.

Controle da atopia: Cão atópico bem controlado tem muito menos episódios de Malassezia. O tratamento adequado da condição de base é a prevenção mais eficaz.

Shampoo preventivo quinzenal: Em cães com histórico de Malassezia recorrente, banho quinzenal com shampoo antifúngico mesmo fora das crises reduz significativamente a frequência de recaídas.

🛒 Solução limpadora auricular — para manutenção semanal das orelhas, especialmente em raças predispostas a otite por Malassezia.

❓ Perguntas frequentes

Malassezia em cão passa para humanos? A Malassezia pachydermatis — a espécie que afeta cães — raramente causa infecção em humanos saudáveis. Existem relatos isolados de infecção em neonatos e imunossuprimidos em contato próximo com animais infectados, mas o risco para adultos saudáveis é considerado baixo. Medidas básicas de higiene das mãos após manipular o animal são suficientes.

Quanto tempo leva para a Malassezia ser curada? Com tratamento correto, a melhora clínica (redução do odor e da coceira) é percebida em 1 a 2 semanas. A resolução completa costuma levar de 3 a 6 semanas de tratamento contínuo. Interromper antes da resolução completa é uma das principais causas de recorrência.

Por que a otite por Malassezia fica voltando? Quase sempre porque a causa subjacente não foi tratada. Otite recorrente por Malassezia sem causa identificada e tratada vai continuar voltando indefinidamente — o antifúngico controla o episódio, mas não previne o próximo.

Posso usar vinagre ou outros remédios caseiros para Malassezia? Não é recomendado. Vinagre e outros produtos caseiros não têm eficácia comprovada e podem irritar a pele inflamada ou o canal auditivo. Use produtos veterinários específicos com princípio ativo comprovado.

Malassezia tem cheiro? Como identificar? Sim — o odor é um dos sinais mais característicos. É descrito como “ranço”, “fermento azedo” ou “queijo”. Diferente do cheiro de “cão molhado” (que é bacteriano), o cheiro de Malassezia persiste mesmo com o cão seco e limpo. Se o cão cheira mal 2 dias após o banho, Malassezia é uma das principais suspeitas.

Conclusão: Malassezia se controla — com o protocolo certo

A Malassezia é um fungo que já vive na pele do seu cão. O problema não é a presença dele — é a proliferação descontrolada que acontece quando as condições estão favoráveis.

O que fica deste artigo:

  • Malassezia é fungo comensal — já está na pele do cão, prolifera quando o equilíbrio é rompido
  • Os sinais mais característicos são odor de ranço/fermento, coceira intensa e orelha com secreção marrom-escura
  • O tratamento exige antifúngico tópico adequado E investigação da causa subjacente
  • Sem tratar a causa, a Malassezia volta — sempre
  • Shampoo com miconazol + clorexidina, tempo de contato de 10 minutos, 2 a 3x por semana é o protocolo padrão
  • Secagem completa após o banho é prevenção fundamental

Seu cão tem histórico de otite recorrente ou cheiro que não passa? Conta nos comentários — cada experiência real ajuda outros tutores a identificar o problema mais cedo. 🐾

Artigo informativo baseado em medicina veterinária e dermatologia veterinária. Não substitui consulta com médico-veterinário.

Fontes:

Comunicado kd a loja

As informações divulgadas em nossas postagens possuem caráter exclusivamente educativo e não substituem as recomendações do médico-veterinário do seu cão ou gato. tratamento devem sempre ser elaborados e acompanhados pelo médico-veterinário de sua confiança.

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